Leiam este texto de Maria Alberta Meneres e António Torrado,
O Livro das Sete Cores (adaptado)
O Anil
Encontrei um dia o senhor Anil e disse-lhe por brincadeira:
- Olá, senhor Azul!
Alarmou-se e ganiu:
- Irra! Não sou azul, sou anil. Para a próxima tome mais atenção!
No dia seguinte voltei a encontrá-lo e disse-lhe já por maldade:
- Olá, senhor Violeta!
Assanhou-se e explodiu:
- Irra! Não sou violeta, sou anil. Mas quando é que você percebe de cores?
- Depende dos dias. – respondi eu. – Quando há mais sol, parece-me mais azul. Em havendo menos sol parece-me mais violeta.
- E que tenho eu com isso? Respondeu de perfil o senhor Anil.
- Mas também há quem lhe chame de Índico… Síndico… ou Galantine – Atrevi-me eu por marotice.
O senhor Anil estas coisas não tolerava
- Galantine? Síndico? Índico? Ah!, como a ignorância é atrevida!
- Você quer dizer Índigo. Cor extraída do Indigueiro que é uma planta tintureira. Sabia?
E, a desculpar-me, ainda lhe disse:
- Mas gosto mais do seu nome, Sr. Anil, embora me faça um bocado de confusão
essa cor tão pouco definida assim em meias-tintas.
Aqui foi um desastre.
- Meias-tintas? Eu? – Ferveu o sr. Anil quase a evaporar-se.
- Fique sabendo que pertenço por direito e honra ao espectro solar.
Sou uma das cores fundamentais. Se faltasse ao arco-íris o azul despenhava-se no violeta. Eu é que os equilibro. Eu é que os aguento. Na escala das sete cores sou um degrau indispensável! E, cada vez mais senhoril, afastou-se o sr. Anil.
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